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BOSCO CENTENO
( Nicarágua )
Jinotepe, 1954- Nicaragua.
Depois de estudos secundários na cidade natal, se dedicou pela vida camponesa, foi viver no arquipélago do lago da Nicarágua e logo se incorporou à comunidade de Nuestra Señora de la Solentiname.
Participou da luta armada da Frente Sandinista.
Prêmio de Poesia do Ministério da Cultura, com se livro Puyonearon los granos (1984).
Foi oficial do Exército, chegando a tenente-coronel, mas voltou à vida civil e camponesa de Solentiname.
Bosco Centeno foi um amigo próximo do poeta e sacerdote nicaragüense Ernesto Cardenal.
MELLO, Thiago de. Poetas da América de canto castellano. Seleção, tradução e notas de Thiago de Mello. São Paulo: Global, 2011. 495 p. N. 02 811
Exemplar da biblioteca de Antonio Miranda
OS PATOS
Os patos-agulhas com o
bico longos e negro
grasnam e sacodem as asas,
pegam as sardinhas da água.
E os machos brigam.
As patas mais estilizadas e finas
de cauda mais comprida,
que estão nos ramos
com as asas abertas ao sol, dormem.
E os filhotes negros e peludos
abrem o bico esperando sua comida
no ilhote
o dia inteiro.
COMO O SALTO RÁPIDO DO SÁBADO
Como o salto rápido do sábado nas tardes de maio
e as estrela fugazes nas noites de verão:
assim foi o nosso amor.
CONFUNDIDOS NA NOITE
Na noite confundido pela noite
como tigres na espreita
ouvindo o latido acelerado do nosso coração
mosquitos passando com roncos de aviões
não se sentem as suas picadas
o fuzil bala na agulha, sem seguro
com pulso firme decidido
e passam sombras de capacete e fuzis uma e outra e outra e outra...
e o disparo, seguido de muitos outros, cala os sons da montanha
e vivas a Sandino e Monimbó
da Pátria Livre ou Morrer
a pólvora que seca a garganta,
alongando-se o tempo e o silêncio rasgado por
gritos pedindo clemência
saindo dos matagais sempre vigilantes
recolhendo fuzis, documentos
curamos os guardas feridos
e silenciosos desaparecemos na montanha.
*
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Página publicada em março de 2025.
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